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O início - mamãe e bebê

23 de fev.
4 min de leitura

Quando nos referimos a criança, sabemos que esse é um período de muitas mudanças, estágio de desenvolvimento fundamental para o ser humano. Assim, o início, após o nascimento, é primordial. Como se dará a relação de dependência desse bebê com sua a mãe e com o ambiente, decorrerá a partir de tudo o que essa mãe e os seus adultos viveram. A partir da vivência dos pais e da atenção a criança que nasceu, essa passará por vários estágios que levam ao seu crescimento e integração. Desse modo, ela necessitará que os pais lhe deem suporte e ofereçam todo o cuidado, atender suas insuficientes a fim de que ela consiga, no tempo certo, atingir sua emancipação. Quando o bebê nasce, para a jovem mãe, pode surgir um deslumbre com a sua cria, algo necessário para que o nenê experimente a sensação de que é importante e amado por alguém. Mas também para essa mãe, por um período, esse bebê irá ser a representação daquele bebê que ela fantasiou. Tarefa que inicialmente não é tão simples como imaginou, pois ela precisa se oferecer a toda a carga inicial que esse período exige, juntamente com o bebê, todas as emoções, medos, sentimentos, angústias, sonhos, desejos e vivências corporais fortes. Vivência que, desde o momento em que iniciou a gestar, se alterou radicalmente. Essa mãe gestante, desenvolve um relacionamento com o bebê, pode amar esse ser, se regozijar quando sentir esse ser se formando e dando os sinais mesmo esse período podendo ser desconfortável e gerador de inquietações. Dado a tudo o que a mãe sonhou para esse filho, consciente ou não, tudo isso estará envolvido nessa relação, seja o desejo de ter a criança, ou não, amando ou não. Questões que irão marcar o desenvolvimento do bebê e repercutirão por todo o seu desenvolvimento ao longo da vida.

Para além da realidade, muito o que se vive com a criança, estão envolvidas projeções da mãe (sua vivência) para com a criança, bem como pai e demais familiares. As crianças vão sinalizando, intencionalmente, as deficiências, os erros, fraquezas, barreiras e competências, o que pode auxiliar o conhecimento de si mesmo e do outro.

Muitas mães se surpreendem quando seu bebê, sua criança, seja capaz de ficar sozinha, ou que essa consiga passar por coisas que ela tenha tido medo ou dificuldade. Dessa forma, vai distinguindo dela e percebendo esta nova personalidade se constituindo.

Ser mãe não é ser uma especialista em cuidados, é algo fluido, vivo, é estar presente e ausente, se colocar como alguém que está ali para quando seu filho necessitar e fazer de conta que sabe mesmo que ainda esteja aprendendo.

A princípio, o volume de trabalho é enorme, e as horas de descanso insuficientes. O bebê sendo dependente, exige quase que o tempo todo a sua atenção. É a fase em que as mães se percebem meio bicho, sentem a necessidade de cuidar o tempo todo e despertam ao menor suspiro do bebê, como se fossem uma com esse, ela oferece seu corpo, nutre e revela todo um universo a criança. Algo natural, talvez aprendido com sua mãe, vai se deslindando, ela vai intuindo e se identificando com o bebê, o que facultará o entendimento desse ser que nasceu. Sentindo ser necessária, ela se oferece e vai sendo a personificação das necessidades do bebê. O pequeno ser ainda não sabe que é algo a parte, para ele os dois são uma coisa única. Estar nesse lugar, onde não se é reconhecida como alguém a parte, uma mãe “toda”, exige alto investimento amoroso, o que não exime de eventualmente ter sentimentos ambivalentes, dado alto grau de exigência e o cansaço desse período. Isso mesmo, tanto amar como sentir ódio são partes dessa relação e é algo que irá oportunizar a criança vir a se fundar como um outro, não unificado a mãe, mas um ser autônomo. Se o ódio for recusado poderá retornar instintivamente, o que pode ser patogênico ao infante. Esses enfrentamentos fazem parte da vida e a mãe deve concebê-los. Se a mãe for suficientemente boa, se acostumará com a realidade destes sentimentos estarem nessa relação. Bem como será capaz de ser alvo dos ataques da criança, o que facultará que sua agressividade não seja impedida, perdendo assim o interesse pelas situações da vida. Assim como o bebê, a mãe também vai aprendendo a ficar separada, pois essa simbiose vai deixando de ter sua utilidade. A cada momento novas necessidades e surpresas vão acontecendo. Principalmente perceber que aquele ser que ali está não é aquilo tudo que desejamos, mas sim, alguém que foi se tornando, sendo e demonstrando algo diferente, com identidade por vezes muito diversa daquela idealizada.

Mas isso será algo necessário de se saber e lidar, considerando o tempo de cada um, principalmente desse ser que necessita desse ambiente saudável para se desenvolver e ter condições de realizar fantasias, sonhos e suportar a vida real.

Ao se referir a mãe, o pai ou seu representante não está sendo excluído, ele está próximo nesse percurso, mesmo não sendo inicialmente identificado como um terceiro, devagar vai sendo solicitado pela criança para que possa suportar essa triangulação edípica, fase de muitas elaborações identitárias e que lhe oportunizarão um lugar para si.

As questões sexuais vão surgindo e o bem-estar e a e maturação demandam dos pais disponibilidade para ajudar o infante neste percurso. Algo que certamente trará à tona as questões da sexualidade de cada um, que muitas vezes são passadas por gerações.

Quando algo não vai bem nessa relação, o atendimento do profissional psicólogo pode identificar se é algo que está dentro do que chamamos de “normal” ou patológico.

Na atualidade há profissionais que podem identificar essas falhas precocemente, o que será primordial para que a criança possa retomar um bom desenvolvimento.

Fique atento e busque ajuda se necessitar.

Foto de arquivo pessoal.


 
 
 

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